Todo estudo voltado à educação está diretamente ligado ao papel do educador, ao papel do educando e a relação que se estabelece entre eles.
Por meio de estudos que estamos realizando percebemos que alguns autores não diferenciam professores de educadores, para eles não há distinção. No entanto, consideramos que há diferenças entre um e outro e encontramos autores que defendem esta visão.
Destacamos aqui a distinção que consideramos mais de acordo com o nosso pensamento, que foi retirado dos requisitos básicos do educador elaborados por INCONTRI.
A capacidade para educar, entretanto, está muito além dos conhecimentos técnicos adquiridos num curso de Pedagogia. Ser educador é muito mais do que ser professor. Para ser educador, não basta conhecer teorias, aplicar metodologias, é preciso uma predisposição interna, uma compreensão mais ampla da vida, um esforço sincero em promover a própria auto-educação, pois o educador verdadeiro é aquele que antes de falar, exemplifica; antes de teorizar, sente e antes de ser profissional é um ser humano. (INCONTRI, 2004, p.52).
Dessa forma, fica nítido que, para assumir a função de educador, os pais e professores devem se unir num propósito maior, que vai para além da instrução chegando à formação integral. Para atingir este objetivo faz-se necessário, urgentemente, como já citado, que todos busquem o autoconhecimento que é por meio dele que se consegue conhecer o outro e nesse processo, conhecendo o outro (aluno ou filho) pode auxiliá-lo a se autoconhecer também.
INCONTRI esclarece a responsabilidade do profissional da Educação deixando uma mensagem bem objetiva e direta à todos que trabalham ou pretendem trabalhar com a educação de crianças, que percebam que estes pequeninos se encontram ainda no processo de desenvolvimento, portanto, em formação e é dever destes profissionais colaborar neste despertar, neste desabrochar, nesta formação de uma nova personalidade. Ela diz:
Quanto aos que se dedicam profissionalmente à Educação, é preciso que tenham uma grande paixão por crianças e especial prazer em estar com elas. Que apreciem suas qualidades, que considerem seu trabalho um privilégio e tenham plena consciência da responsabilidade moral que ele implica. Nenhuma escolha profissional deve ser fruto do acaso e da indiferença, menos ainda a tarefa da educação. Ela deve brotar em primeiro lugar de um grande amor à criança e à humanidade em geral. Quem não se sinta à vontade, alegre e satisfeito com um bando de crianças correndo e gritando à sua volta, que as deixe em paz e procure outra atividade, para não se tornar rabugento, tirânico e frustrado. (INCONTRI, 2004, p.55).
Infelizmente o que se percebe hoje é que muitos dos que estão atuando na área da educação é professor não porque optou por isso, mas por não ter outra opção acaba entrando numa sala de aula. Porém, eles não percebem que as conseqüências dessa atitude são desastrosas tanto para eles, pois se tornam professores frustrados na sua prática educativa, quanto para os alunos, o mais prejudicado, que levam marcas graves para toda vida.
Diante deste cenário é importante proporcionar a reflexão a todos educadores e futuros educadores sobre a sua expectativa com relação à prática docente. E para ajudar nesta reflexão, mencionamos a seguir algumas características essenciais à todos que pretendem exercer alguma função educativa. Para isso, utilizamos as características apontadas por INCONTRI, são elas:
· Autoridade moral – Não se impõe. Conquista-se pela vida reta, pela renúncia aos vícios morais e até as futilidades (…). A autoridade moral não se obtém, pois como muitos supõem, à base de gritos, punições e autoritarismo, mas no lastro de uma vida devotada à família e a idéias nobres. Também não pode ser fruto da aparência. Sem sinceridade de intenções, sem virtude real, a autoridade moral não existe.
· Religiosidade – (…) para ser um verdadeiro educador é preciso que o indivíduo tenha uma religião, qualquer que seja. Pode mesmo não adorar nenhuma em particular, se tiver um sentimento íntimo e sincero de religiosidade, de amor a Deus, de reverência pelas Leis da Vida. (…) Mas para realizar uma obra educativa mais eficaz e consciente, a fé fundamentada, refletida e sincera é indispensável. A confiança na potencialidade infinita do desenvolvimento humano desabrocha com muito mais coerência naquele que identifica a divindade intrínseca do homem.
· Equilíbrio – (…) Equilíbrio é o domínio das próprias emoções, e a serenidade com que se enfrenta qualquer situação. (…) Todo esse equilíbrio é produto de longo trabalho interno, que cada um deve fazer a si mesmo. É obra do nosso esforço, secundado pelo tempo que vai nos burilando sempre. E não pode decorrer de um simples abafamento, compulsório e impositivo, de nossas emoções. É preciso trabalhar com elas, sublimando sentimentos e não fugindo deles.
· Lucidez Espiritual – (…) Essa lucidez é essencial para lidarmos com o próximo, sobretudo, sobretudo com os que estão sob nossa responsabilidade. (…) O educador que possui essa lucidez, ajuda o educando a encontrar o sentido de sua presença no mundo.
· Capacidade de observação – (…) É a capacidade de ouvir, de observar o comportamento do alheio, de analisar as reações humanas. (…) A capacidade de observação deve ser empregada com tolerância, bondade e verdadeiro interesse no bem do outro… (…) O mau observador se compraz em humilhar o outro em seus erros, o educador se entristece com o erro, se alegra com o progresso e é em tudo discreto e cuidadoso, caridoso e bom.
· Humildade – Está inteiramente ligada com a capacidade honesta de observação. Quem observa com amor, respeita, orienta sem impor, admira-se com as riquezas do outro e não hesita em reconhecer as suas próprias limitações.
· Paciência – Eis uma virtude que todo educador deve necessariamente possuir. Paciência para ensinar, para exemplificar, para repetir para esperar a frutificação, para aguardar o ritmo e a vontade livre de cada educando.
· Firmeza e energia – (…) Deve possuir uma vontade firme, na execução de seus ideais pessoais e no cumprimento de sua tarefa de educador. (…) Só com a vontade firme, o educador terá, em primeiro lugar, êxito no aperfeiçoamento de si mesmo e depois, na contribuição que deve dar para o melhoramento do educando.
· Entusiasmo pelo saber – (…) A vontade de saber, a capacidade de perguntar, o impulso de pesquisar e descobrir é eu deve afinar o educador com o educando, para que a busca do aperfeiçoamento se faça em conjunto. (INCONTRI, 2004, p.68).
Ao finalizar estes apontamentos a autora enfatiza a necessidades destas características nos educadores, principalmente aos que estão ligados diretamente à educação. Ela explica que, em outras funções se falharmos moralmente “teremos que acertar contas com o nosso futuro pessoal, mas se falharmos na missão de educar, seremos, pelo menos parcialmente, responsáveis pelo fracasso” de nossos educandos.
Gostei deste texto sobre a educação, copiei e deixei exposto em minha página de convívio
Obrigada
Comentário por Luciola Anselmo — Novembro 27, 2008 @ 5:19 pm
gostei do artigo, as citações são otimas, mas gostaria de ver as referencias bibliograficas..
Comentário por kmila — Abril 19, 2009 @ 10:28 pm